Sistema educativo – geral

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  • História (evolução) da Educação

A primeira reforma da educação espanhola começou na década de 70, sob o governo de Augusto Franco. Garante o acesso ao ensino médio a 79,5% dos jovens entre 15 e os 19 anos.

É em 1975 que as reformas ganharam um novo impulso devido à morte do ditador e à criação de um pacto celebrado entre o governo, os partidos políticos e os sindicatos. A esse acordo deu-se o nome de Pacto de Moncloa.

Foi este mesmo pacto que permitiu duplicar o investimento da educação pública entre 1977 e 1980. De salientar que os trabalhadores abdicaram de receber aumentos salariais para o aumento do orçamento do Estado para investir na educação. O desenvolvimento da economia espanhola deveu-se, sobretudo, à importância atribuída pelo governo e pela sociedade à educação como política pública.

A partir de 1975, com a redemocratização do país, o ensino básico tornou-se obrigatório para crianças dos 6 aos 16 anos assim como a educação infantil para crianças a partir dos 3 anos de idade. Desde o inicio da década de 80, verificou-se que o Estado espanhol se preocupou em garantir uma maior qualidade, agindo no âmbito da revisão dos currículos e da formação continuada dos professores.

Actualmente, tem-se procurado que os professores espanhóis tenham horários reduzidos, mas ao mesmo tempo com uma dedicação exaustiva na sua profissão como é o caso dos professores do ensino secundário que trabalham 25 horas semanais e os do ensino médio de 18 a 20 horas semanais.

Os professores espanhóis são alvo de um forte sistema de avaliação do seu desempenho mas, ao mesmo tempo, estas medidas são acompanhadas de incentivos que passam pelo aumento salarial e por uma contínua formação profissional.

Outro aspecto relevante é a introdução da eleição directa dos directores das escolas, que são escolhidos por professores, pais e alunos. Esta implementação constante de medidas reformistas procuram aumentar a eficácia do sistema educativo.

De seguida, é apresentada a evolução do sistema educativo:

 

LOGSE (  Ley Orgánica General del Sistema Educativo) 1990

Religião: Avaliável. Não era necessário repetir-se o curso. Existia alternativa fora do currículo.

Aprendizagens Comuns: “Em nenhum caso, será necessário mais do que 55% dos horários escolares para as diferentes comunidades linguísticas com castelano e 65% para aqueles que não têm”.

Repetição do Curso: Foi deixado às mãos dos prefessores. Só se  poderia repetir duas vezes no Ensino Secundário Obrigatório (ESO) e uma no ensino primário.

Admissão de Alunos: A administração estabelecia critérios em função do programa educativo.

Acesso à Universidade: Existência de apenas uma prova para a selecção.

Recursos Económicos: Um bilião de pesetas para a sua implementação ao longo dos anos.

 

LOCE (Ley Orgánica Constitucional de Enseñanza) 2002

Religião: Religião ou experiência religiosa. Ambas avaliáveis. Contam para repetir o curso.

Aprendizagens Comuns: “Em qualquer caso, 55% dos horários [...] e 65% nas comunidades que não têm outra lingua oficial se não o castelhano”.

Repetição do Curso: Repete-se se houver reprovação a mais de duas disciplinas. Só uma vez por curso na ESO e uma na primária.

Admissão de Alunos: A administração decide em praças públicas para garantir o direito à escolha livre.

Acesso à Universidade: Revalida o final do bacharelato e de outra prova de acesso.

Recursos Económicos: Não foi apresentado relatório financeiro.

 

LOE (Ley Orgánica de Educación) 2006

Religião: Não avaliável. Para os centros é obrigatória e para os alunos é voluntária. Alternativa por decidir.

Aprendizagens Comuns: “Não exigir mais do que 55% dos horários escolares para as comunidades que têm linguas co-oficiais e 65% para aqueles que não têm”.

Repetição do Curso: Transita-se com duas disciplinas reprovadas e são repetidas quatro. Os professores decidem se também existe repetição com três.

Admissão de Alunos: A administração decide a proporção de alunos com necessidades especificas para cada centro, públicas ou privadas.

Acesso à Universidade: Uma única prova de acesso à Universidade.

Recursos Económicos: 7.033 milhões de euros (mais de um bilião de pesetas) até 2010.

 Fonte: El Periódico de Catalunya 16 de Diciembre de 2005

 

  • Pedagogos

De seguida, são apresentados alguns dos pedagogos que fizeram parte da história da educação espanhola.

Juan Luís Vives (1492-1540)

        lluis_vives[1]

Juan Luís Vives nasceu em Valência. Recebeu a sua primeira formação em Grego e Latim em Espanha. Foi autor de cerca de 60 obras escritas em latim, sobre temas devocionais e elogiosos, obras de filologia, de política e moral; filosofia e psicologia, educação e métodos pedagógicos, como é o caso de Christi Jesus Triumphus, De initiis, Sectis et Laudibus Philosophiae. Considera que o ensino se deve realizar de acordo com a personalidade e natureza do aluno. Vives fala da educação do ponto de vista da eficácia da educação e para esta eficácia específica considerava a psicologia fundamental, tanto para a adequação do ensino ao sujeito, quanto para a eficácia do método educativo. De acordo com as suas ideias humanistas, as principais recomendações sobre a educação são:

  • Idade para o aprendizado- O ensino deve-se iniciar na infância e não deve acabar com o periodo escolar, deve-se prolongar até à velhice; 
  • Educação para todos- Preocupou-se em oferecer a todo o povo, sem excepções;
  • Educação da mulher- Quer que a educação das mulheres seja objecto de reflexão;
  • Línguas- Considera importante o estudo das línguas e que este se deve iniciar no primeiro periodo escolar;
  • Educação física- Faz parte da educação em geral;
  • Dignidade do mestre- O mestre deve ser dedicado à sua profissão e aos seus alunos;
  • Papel dos pais- Os pais devem ser os principais transmissores de valores e atitudes e responsáveis pela educação dos seus filhos;
  • Escola privada- É critico a estas porque visam apenas o lucro;
  • Internato- É critico a este pois o aluno precisa do complemento do próprio lar e da familia nos seus processo de aprendizagem.

 Fonte:  Cobra, Rubem Q. – Juan Luís Vives. COBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 1999.

 

Quintiliano

          quintiliano[1]

M. Fábio Quintiliano nasceu em Calagúrris, em Espanha Tarraconense, entre 35-40 d.C. Primeiramente exerceu advocacia e foi professor de Retórica em Roma, onde se tornou conhecido. Após estas profissões, decidiu começar a escrever. Ficou famoso pelo Instituto de Oratória (c. 95 d.C.), uma grandiosa obra escrita em 12 volumes onde pretendia tratar a educação e onde recomendava que se ensinassem os nomes das letras e das suas formas, sendo contra aos castigos físicos.

É a favor dos intervalos durante o período escolar pois considera que o descanso é benéfico à aprendizagem dos alunos.

Para ele, a leitura é um elemento essencial para a formação de um orador, deixando esta idéia bem clara na sua obra mais conhecida intitulada de O LivroX. Esta teve bastante influência na teoria pedagógica que sustenta o humanismo e o renascimento. 

 

Francisco Ferrer (1859-1909)

            Francisco Ferrer

Francisco Ferrer nasceu em Barcelona. Sentia uma grande revolta devido à educação religiosa e autoritária que teve na escola onde andava. Em Paris, deu aulas de espanhol, local onde se afirmou a sua vocação pedagógica. Viajou por vários paises, Itália, Suíça e Bélgica onde se interessou por todas as experiências feitas ao nível da inovação pedagógica. Regressa a Espanha em 1901, fundando a “Escola Moderna”. Esta tem bastante sucesso que chega a ultrapassar todas as expectativas. Em 1908, são criadas mais Escolas Modernas, nos quais 10 são em Barcelona, cento e cinquenta na Catalunha, e mais estabelecimentos em Madrid, Sevilha, Granada e Cádis. Mais tarde, são fundadas mais escola por diversos paises como Portugal, Brasil, Suíça e Holanda. A escola moderna é mista e aberta a todos que nela queiram participar. É laica, religiosa, racional e científica.

 

Francisco Giner de los Ríos (1839 – 1915)

          Francisco Rios

Sendo considerado um intelectual, pensador, educador e crítico de arte espanhol, nasce em Ronda, Málaga. É um líder da corrente pedagógica liberal conhecida como krausismo. Fez a sua educação em Sevilha e Cádiz e o bacharelado em Alicante. Estudou na Universidade de Barcelona. Terminou os cursos de direito, filosofia e letras na Universidade de Granada. Foi para Madrid, 1863, onde realizou o doutoramento em direito na Universidade Central. Devido ao convívio com outros professores, fundou em 1876 a Institución Libre de Enseñanza, para a qual elaborou um sistema educacional independente da igreja e do estado, que abrangia todos os níveis. Escreveu obras importantes na área da educação, como Institución libre de enseñanza (1884) e Pedagogía universitaria (1905) e morreu em Navacerrada, Madrd.

 

Manuel Bartolomé Cossío

            Manuel Cossio

A partir de 1884, criou e dirigiu o Museu Pedagógico de Madrid no qual se concretizaram algumas das suas ideias, com o objectivo de alterar a educação, em 1901, com a criação do Ministério de Instrução Pública da Junta para Ampliação de Estudos e Investigações Científicas em 1907 e a Escola Superior de Magistério, em 1909.

 

 

  • Actual Sistema Educativo

Actualmente, de acordo com a implementação do novo sistema educativo, o sistema de ensino está dividido em etapas, ciclos, diplomas, cursos e níveis de ensino para afirmar a transição entre eles e, se for caso disso, dentro de cada um deles.

Neste sentido, as aulas oferecidas pelo sistema educativo são no âmbito da educação infantil, da educação primária, do ensino secundário obrigatório, do bacharelato e da formação profissional que se divide em ciclos formativos de nível médio e nível superior.

São também oferecidas aprendizagens de línguas e artísticas onde se poderá aprender arte dramática, música, dança, artes plásticas e design. Este último divide-se em:

  • Ciclos formativos de nível médio de artes plásticas e design;
  • Ciclos formativos de nível superior de artes e design;
  • Estudos superiores de artes plásticas e design oferecem a especialização em Conservação e Restauração de Bens Culturais; Design; Cerâmica e Vidro.

Por fim, são também consideradas aprendizagens desportivas e universitárias, e da educação de adultos.

A educação primária e a educação secundária constituem o ensino básico.

O ensino secundário é constituido pelo bacharelato, pela formação profissional de nível médio, assim como pelas aprendizagens profissionais de artes plásticas e design de nível médio e ainda pelas aprendizagens desportivas de nível médio.

O ensino universitário é constituido pelas aprendizagens artísticas superiores, pela formação profissional de nível superior, assim como as aprendizagens profissionais de artes plásticas e design de nível superior e ainda pelas aprendizagens desportivas de nível superior.

O ensino de línguas, as aprendizagens artísticas e as desportivas fazem parte das aprendizagens de regime especial.

Desta forma, todas as aprendizagens do ensino superior são manuseadas por regras.

Após esta breve introdução sobre o sistema educativo espanhol, é apresentado, de seguida, um organigrama para clarificar melhor a informação apresentada e, nas páginas seguintes, do Ensino não Superior e do Ensino Superior, serão apresentados mais detalhadamente.

 

  • Organigrama do sistema educativo

 

sistema-educativo[1]

Fonte:  http://iestubalcain.net/

 

 

Fontes:

http://iestubalcain.net/departamentos/historia/images/sistema-educativo.jpg
Acedido a 25 de Maio de 2009

http://www.educacion.es/dctm/mepsyd/horizontales/prensa/documentos/2008/aplicacion-loe.pdf?documentId=0901e72b80027b4f
Acedido a 25 de Maio de 2009

http://www.paratexto.com.br/document.php?id=1835
Acedido a 6 de Junho de 2009

http://www.geocities.com/cobra_pages/fmp-vives.html

Acedido a 6 de Junho de 2009

http://www.faced.ufba.br/rascunho_digital/textos/548.htm
Acedido a 3 de Abril de 2009

http://www.cchla.ufrn.br/ppgh/docentes/durval/artigos/segunda_remessa/armazem_campo_cultivavel.pdf
Acedido a 3 de Abril de 2009

http://www.educaweb.com/edw/seccion.asp?NoticiaID=1377&SeccioID=1839
Acedido a 7 de Junho de 2009

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/espanha/educacao-na-espanha.php
Acedido a 13 de Julho de 2009

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